Gastar recursos públicos ou privados tapando o mesmo buraco repetidas vezes é um dos maiores sintomas de ineficiência na infraestrutura rodoviária brasileira. Para romper esse ciclo vicioso, a engenharia moderna aponta que a solução não está na velocidade do reparo, mas na precisão do diagnóstico da raiz do problema.
Identificar o que acontece sob a superfície do asfalto, como falhas invisíveis de drenagem e agressões químicas subterrâneas, é o único caminho seguro para estender a vida útil das estradas e evitar reconstruções completas e milionárias.
Quando fendas, trincas ou afundamentos surgem na pista, eles são apenas o reflexo superficial de uma falha que, na maioria das vezes, começou nas camadas mais profundas do pavimento. Sem uma análise clínica da estrutura que identifique a origem real do desgaste, qualquer intervenção, por mais tecnológica que seja, corre o risco de virar um paliativo temporário.
Bernardo Oliveira, gestor da unidade de negócio da Construtora De Amorim, explica que o segredo de uma pavimentação durável está na capacidade de prever a exaustão do material estrutural.
“O mercado precisa parar de tratar o buraco como o problema principal e passar a tratá-lo como um sintoma. Se a deformação superficial for causada por um colapso na base ou na sub-base, realizar apenas um recapeamento é jogar dinheiro fora. Essas deformações profundas comprometem a manutenção das tensões das camadas superiores. Se a raiz do problema não for tratada na fundação, a pista de cima simplesmente não vai suportar o peso do tráfego e precisará ser inteiramente arrancada no futuro.”
Investir em estudos preliminares e materiais de alta qualidade para resolver o foco da instabilidade evita o processo de degradação em efeito dominó.
“A engenharia de valor consiste em aplicar a inteligência antes da máquina. Tratar a causa raiz mantém a vida útil da estrada por anos. Caso contrário, a omissão ou o diagnóstico errado vão exigir, obrigatoriamente, a reconstrução total de todas as camadas asfálticas da rodovia, uma obra exponencialmente mais cara e demorada”, finaliza Oliveira






